Ana Claudia Plihal: “O brasileiro é criativo, mas ainda precisa buscar mais parcerias estratégicas" - Unbox
Ana Claudia Plihal: “O brasileiro é criativo, mas ainda precisa buscar mais parcerias estratégicas”

Publicado em: 22/07/2021

Ana Claudia Plihal: “O brasileiro é criativo, mas ainda precisa buscar mais parcerias estratégicas”

Iniciativas como aceleradoras e espaços de inovação ajudam a quebrar um pouco esse estigma, mas a conexão ainda não está incorporada culturalmente na forma de empreender no País

Por Rodrigo Guerra* 

“Inovação existe para conectar as pessoas e os objetivos das empresas, criando resultados impactantes”. 

A frase que está no perfil do LinkedIn da Ana Claudia Plihal, head para o Brasil do LinkedIn Talent Solutions, é uma mensagem nítida de como o sucesso é exponencial quando o propósito pessoal se identifica com o propósito da empresa para a qual se trabalha. 

No caso do empreendedorismo, normalmente o profissional já sabe quais são as suas paixões e missões no trabalho. Ainda assim, a conexão se faz importante para que seja possível encontrar parceiros que o ajudem a ter fôlego para o negócio crescer

Convidei a Ana Claudia para esse papo que fala justamente sobre a força da comunidade para a transformação de negócios. Acompanhe os melhores trechos:

Rodrigo Guerra: Ana Claudia, quero começar nosso papo perguntando como a inovação tem mudado o seu próprio trabalho à frente do LinkedIn Talent Solution. Quais ferramentas são largamente utilizadas nesse processo? 

Ana Claudia Plihal: A inovação é a essência do LinkedIn e ela acontece todos os dias. Eu digo que a inovação tem mais sentido quando surge para resolver um problema que o mercado/consumidor já tem, ou para atender uma necessidade que esse mesmo mercado/consumidor ainda nem percebeu que tem. O engraçado é que depois que a solução é criada, você olha para trás e se pergunta, “como eu vivi até agora sem isso?”. É porque a inovação sempre vem para simplificar a vida de alguém. E no caso da nossa plataforma, cuja missão é conectar profissionais às empresas para que os dois lados se realizem plenamente, precisamos estar atentos para observar o que uma massa de usuários está tentando nos dizer para que possamos, de fato, saber em quais aspectos devemos melhorar ou quais soluções podemos incorporar aos nossos produtos. Esse acompanhamento é comum em todo mercado, só que agora está muito mais rápido. A todo momento é preciso entender as conversas e as buscas que acontecem na plataforma. Também conversamos com os clientes, entendemos suas estratégias futuras e como os talentos se encaixam nesse planejamento para podermos encontrá-los. É uma escuta ativa e intencional para identificar quais são as oportunidades de inovação. 

Rodrigo: E hoje o LinkedIn é mais que uma plataforma de recolocação profissional, é uma mídia social importante para conversas sobre negócios. Essa transição também foi uma inovação da plataforma, certo?

Ana Claudia: Mais do que a conexão, nós queremos promover uma troca de conteúdo de qualidade e o aprendizado, até porque não existe inovação sem essas duas coisas. Nossos algoritmos, engenheiros e curadores de informação estão 24 horas por dia, sete dias por semana, acompanhando o que acontece e garantindo que essa troca seja de valor. O LinkedIn não é uma rede social de quantidade, pouco interessa se um usuário tem 100 ou 100 mil conexões. A intenção é que essas conexões sejam de qualidade, ou seja, com pessoas que agregam ao seu momento profissional, e isso, claro, pode mudar. Quando acontece, basta procurar na rede outras pessoas que somem aos seus novos projetos, seja por meio da troca de conteúdos, de mentorias ou pelas conversas. 

Rodrigo: Você acha que a conexão que o LinkedIn proporciona é importante tanto para o recrutamento de talentos para grandes empresas quanto para o empreendedorismo?

Ana Claudia: Sim. Tanto é que recentemente nós começamos a desenvolver conteúdos específicos para empreendedores. O empreendedorismo no Brasil tem muito a ver com missão, coração e propósito. E uma rede social profissional pode ajudá-lo a mostrar tudo isso. Como o empreendedor, normalmente, já passou por um processo de autoconhecimento e sabe muito bem o que lhe traz prazer no trabalho e quer investir naquilo, pode usar uma plataforma como o LinkedIn para contar sua história e conquistar novos clientes e parceiros pelo seu posicionamento. 

Rodrigo: Por falar nisso, como o empreendedor brasileiro é reconhecido mundo afora? 

Ana Claudia: Um ponto que o brasileiro já melhorou bastante, mas ainda falta investir mais, é o planejamento. Muitas grandes ideias e produtos interessantes acabam não perdurando por falha de planejamento organizacional do negócio em si, que impacta desde coisas mais básicas como fluxo de caixa e controle de estoque até parcerias estratégicas. Normalmente, o empreendedor brasileiro tenta fazer o máximo de tarefas sozinho, mantendo o conhecimento para si, e isso acaba asfixiando o negócio de alguma maneira. Outro ponto é que a longevidade do empreendedorismo no Brasil  ainda é pequena, e um dos motivos para isso é que ele nasce da necessidade, como acontece nos casos de empreendedores que se arriscam nessa posição por não conseguirem uma recolocação. Mas, mesmo aqueles que encontram no empreendedorismo a sua verdadeira essência deveriam investir mais no planejamento, que inclui fortemente as parcerias estratégicas. Eu digo que um negócio tem que nascer tendo como próximo passo a busca por parceiros, porque são eles que darão fôlego e vão permitir que o empreendedor foque apenas naquilo que ele é bom.

Rodrigo: E no que o empreendedor brasileiro é bom?

Ana Claudia: Criatividade é o que mais aparece nas pesquisas que fazemos no LinkedIn. O empreendedor no nosso país tem uma criatividade muito grande para propor soluções, que certamente vem das dificuldades que o brasileiro enfrenta no dia a dia  e faz com que ele crie saídas alternativas e rápidas para sobreviver. E isso reflete tanto no modelo de negócio quanto no produto em si. 

Rodrigo: Na sua carreira sempre foi muito forte a promoção da participação das mulheres no mercado corporativo e a ascensão feminina aos níveis de liderança. De que forma isso mudou nas empresas desde que se iniciou esse debate de gênero?

Ana Claudia: Vou contar a minha experiência pessoal. Venho de uma família cheia de mulheres fortes e tive um pai que nunca me disse que eu não poderia fazer algo por ser mulher. Nesse ambiente bem feminino, eu percebi que tinha uma aptidão para a área de exatas e acabei cursando engenharia de computação. Eu falo tudo isso porque talvez seja o motivo de eu ter chegado aonde cheguei na minha carreira. Só fui sofrer um pouco das barreiras que se colocam para as mulheres no mercado de trabalho quando eu já tinha certo músculo – antes disso eu podia tudo, nunca ninguém havia me limitado. Mas quando eu percebi que havia traçado este caminho de forma diferente de outras mulheres, resolvi ajudar a promover a reflexão sobre o tema dentro das organizações. Assim, quando eu já estava em posições gerenciais, me juntei a grupos de discussão de mulheres na tecnologia e foi aí que comecei a ouvir histórias chocantes e inaceitáveis que muitas colegas precisaram superar e que eu não havia vivido. Hoje eu entendo que meu papel nessa discussão tem dois pilares importantes: amparar outras mulheres e ajudá-las a se fortalecer, além de promover o diálogo sobre esse tema entre as lideranças. 

Rodrigo: De que forma equipes diversas – incluindo aí questões de gênero, sexualidade, pessoas com deficiências, etc. – atuam na cultura de inovação e no desenvolvimento de projetos inovadores nas empresas?

Ana Claudia: Recentemente vivenciamos isso na prática aqui no LinkedIn, de um processo que se inovou apenas porque tínhamos um elemento novo na equipe. Em resumo, essa pessoa trouxe uma perspectiva nova que a equipe anterior não teria. O fato é que existia um processo que pressupunha que todos morassem na Zona Sul de São Paulo e o novo funcionário conseguiu expor sua perspectiva brilhantemente, já que ele não tinha esse CEP. Dessa conversa, acendeu uma  luz em todos nós: “o que mais temos que investigar para melhorar?”. Assim são feitos projetos inovadores. 

*Rodrigo Guerra é especialista em finanças e inovação. Atualmente vivencia um profundo mergulho na jornada do autoconhecimento – que deve trazer novidades em breve

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