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Coronavírus e a pandemia que impulsiona a transformação da Saúde

Publicado em: 26/03/2020

Coronavírus e a pandemia que impulsiona a transformação da Saúde

Diante de uma situação que não cabia nem nas projeções mais pessimistas, é fundamental repensar o uso dos recursos e se preparar para um cenário de desafios crescentes 

Por Rodrigo Guerra*

A elaboração de um plano de continuidade dos negócios deve sempre contemplar a construção do que chamo de “cenário de estresse”. Nele mapeiam-se situações catastróficas em potencial, como colapsos financeiros, recessão internacional e outros possíveis desafios internos e externos à organização. Mas em momento algum chegamos a imaginar um cenário como esse: uma pandemia global, com impacto direto não só na Saúde, mas em todos os setores da economia. A Covid-19 surpreendeu a todos – e tornou mais evidente a necessidade de transformação da Saúde. E essa transformação passa pelas finanças.

As primeiras consequências negativas da pandemia foram sentidas de imediato. Comércio, serviços e indústrias se viram forçados a fechar suas portas ou reduzir drasticamente suas atividades. Cada dia traz mudanças profundas no entendimento da situação, de modo que aquilo que parecia certo pela manhã já era duvidoso ou mesmo inviável no fim da tarde.

No setor de Saúde, a situação se traduziu em um crescimento automático por atendimento de emergência. Basta uma tosse para que a pessoa busque o pronto-socorro. A lição de outros países nos permitiu prever que precisávamos conter essa “corrida”, a fim de evitar um colapso de falta de recursos. Assim, vimos que era essencial dedicar energia à comunicação com o público, usando de vários canais para que ele entenda que, salvo se houver comprometimento das funções respiratórias, o melhor tratamento é ficar em casa, em repouso, com boa alimentação, hidratação constante e doses de dipirona.

A situação demonstra por que devemos criar hábitos emergenciais antes que as emergências de fato aconteçam. Parece óbvio, mas é menos comum do que se imagina em um setor muito mais reativo que proativo, que está acostumado a lidar com a doença ao invés de preveni-la. É essa transformação da Saúde que precisamos fazer – e essa necessidade se torna ainda mais evidente diante de situações como uma pandemia. 

Aqui a inovação em Saúde vai além de adotar tecnologias, e mexe muito mais com a mentalidade do setor. É preciso mudar, inclusive, a gestão dos processos internos. Na Central Nacional Unimed, por exemplo, suspendemos todas as viagens da empresa, e as reuniões estão acontecendo apenas por aplicativos de teleconferência. É verdade que muitos ainda preferem a reunião presencial. Mas esse é um  momento de se reeducar, não só quanto a esse aspecto, mas em tantos outros. É um aprendizado que pode se transformar em um ganho em meio a tantas perdas.

Em muitas organizações, em especial na Saúde, a possibilidade de que colaboradores trabalhassem de casa era inimaginável até agora. Porém, com esse movimento forçado pela necessidade, os gestores entenderam que o deslocamento tem um custo financeiro e emocional alto para o colaborador, especialmente nas grandes cidades. Estão, agora, adotando horários flexíveis para as equipes enquanto criam meios de avaliar performance. 

Um exemplo ainda mais profundo dessa reeducação tem relação direta com as finanças em Saúde. Aqui na Central Nacional Unimed, estamos fazendo uma revisão dos gastos e das estruturas. Há muito que gestores de algumas organizações não sentam para analisar o que é realmente necessário para seu funcionamento e crescimento. Essa revisão forçada do modelo de gestão, se adotada em larga escala, pode nos levar a um Brasil mais eficiente. 

Outro aspecto da mudança impulsionado pela pandemia é a teleorientação médica. Está longe de ser um consenso, é verdade, mas vejo mais pessoas se sentindo confortáveis e seguras em receber orientações por uma tela de celular. As operadoras que abrem essa possibilidade têm bons resultados, e esse pode ser o momento de quebrar mais essa barreira para a transformação da Saúde.

O futuro imediato recomenda três atitudes: ser prudente, cortar o supérfluo e antecipar os investimentos na informação e no autocuidado. Para longo prazo, é indicado revisar as práticas de guerra que foram adotadas e trouxeram ganhos financeiros e de qualidade de vida. Essas devem ser definitivamente incorporadas à rotina. Quando um tabu se prova ineficiente, não há razão para insistir nele. E assim a transformação da Saúde acontece.

A mentalidade analítica, a disposição para pensar e agir diferente, e a priorização da saúde e bem-estar é o que nos fará atravessar esse momento com mais segurança e preservando o maior número de vidas. E ainda estimulará uma mudança que há muito a Saúde espera e precisa.

*Rodrigo Guerra é especialista em finanças e inovação em Saúde. Atua como superintendente executivo da Central Nacional Unimed, organização responsável por administrar todos os contratos de abrangência nacional do Sistema Unimed.

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