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Para um futuro incerto, precisamos da operadora de Saúde certa

Publicado em: 22/10/2020

Para um futuro incerto, precisamos da operadora de Saúde certa

Covid-19 exigiu reação rápida ao imprevisível e abriu oportunidades para que organizações se valham dos dados do beneficiário para corrigir problemas históricos, reduzir custos e, mais importante, promover qualidade de vida e bem-estar

Por Rodrigo Guerra* 

Está na hora de tirarmos do plano das ideias a operadora de Saúde do futuro. E, embora esse futuro seja incerto, o formato de organização que precisamos já é um velho conhecido do setor. Para que essa mudança ocorra, porém, o primeiro passo é ressignificar o que é eficiência. 

No dicionário Oxford, eficiência é a virtude de algo ou alguém produtivo, capaz de alcançar “melhor rendimento com o mínimo de erros e/ou dispêndios”. A pandemia da Covid-19, no entanto, trouxe um adendo a esse significado: ser eficiente exige, também, capacidade de reação ao imprevisto. Nenhuma instituição, seja de qualquer setor, estava minimamente preparada para o que vivenciamos em 2020. O coronavírus demandou de todos nós, principalmente no setor de Saúde, uma capacidade de reação imediata. Foi preciso vencer barreiras comportamentais, culturais e regulatórias. Todas foram postas em xeque quando, diante do isolamento social recomendado para conter o avanço do vírus, a tecnologia se mostrou a alternativa para viabilizar tanto os negócios quanto tantos outros inúmeros aspectos da nossa vida cotidiana. 

É o caso da telemedicina. Na pandemia, gestores de Saúde se viram diante do fato de que era preciso manter o máximo de pessoas em casa, evitando ambientes hospitalares e exposição à contaminação, ao mesmo tempo em que pacientes crônicos deveriam ser assistidos com a máxima segurança. A modalidade de atendimento remoto foi, então, liberada às pressas pelo governo e amplamente adotada por profissionais e instituições antes resistentes a ela. Essa mudança repentina de paradigmas transformou a responsabilidade das operadoras de Saúde e os investimentos em TI. Tudo isso você provavelmente já sabe.

Mas você pode não saber que ter vencido essas barreiras mudou, também, o comportamento dos beneficiários, que passaram a se sentir mais confortáveis com o atendimento remoto. Além disso, perceberam que a telemedicina oferece comodidade sem deixar de lado a segurança – inclusive dos dados médicos. Usamos o desafio para ganhar eficiência e reformular a forma como atendemos nossos clientes.

Embora a telemedicina seja o exemplo mais clássico dessa transformação na Saúde, a oportunidade de desenvolver novas linhas de cuidados não se encerra nela. A pandemia persiste e continua alterando comportamentos, e a responsabilidade das operadoras jamais diminuirá. Dados de saúde não são ordinários ou triviais, e precisam ser usados para prestar assistência de forma inovadora e melhor, tanto para o beneficiário quanto para os profissionais.

A nova operadora

Nesse cenário, a nova operadora de Saúde que surge no pós-pandemia precisa investir mais em tecnologia, mas também ser rápida na adaptação ao inesperado e próxima dos beneficiários em todas as etapas do cuidado. Para tanto, deve incorporar estratégias com foco em atenção primária e prevenção, e ser transparente sobre como usa e que benefícios obtém quando explora dados pessoais de beneficiários para aprimorar o negócio.

A transparência é importante porque, cedo ou tarde, seremos cobrados pelo que faremos com esses dados. Não só pelos usuários dos serviços, mas pelas empresas que contratam planos de saúde para seus colaboradores. Na negociação para renovação de contrato, por exemplo, os líderes dessas empresas vão perguntar o que fizemos com as informações que coletamos de seus funcionários. Com base nesses dados, que propostas temos para tratá-los melhor? Como torná-los mais saudáveis e, igualmente importante, reduzir sinistros?

Na prática

Na Central Nacional Unimed (CNU), inclusive, já utilizamos inteligência de dados com essas finalidades. Tomo como exemplo o caso de uma rede de restaurantes que apresentava uma taxa crescente de sinistros. Descobrimos que os funcionários eram, na grande maioria, jovens de 20 a 25 anos que se deslocavam para o trabalho de moto, e o índice de acidentes de trânsito era altíssimo, elevando os custos do plano de saúde. Criamos, então,  um trabalho de prevenção  com foco em direção segura que está apresentando ótimos resultados.

Outro cliente da CNU tinha um percentual de grávidas muito mais alto que a média. Desenvolvemos, então, um trabalho de parto adequado e gravidez assistida que inclui exames preventivos, reduzindo bastante os custos com sinistros e, melhor ainda, aumentando a qualidade de vida das gestantes e de seus filhos.

Claro que são estratégias que não saem do papel sem investimento – tanto em tecnologia quanto em gestão e cultura. Mas, se usarmos dados comportamentais, de registros de exames e padrões de reações medicamentosas no combate a patologias diversas, por exemplo, empregaremos inteligência para aperfeiçoar linhas de cuidado que vão garantir melhor assistência para nossos beneficiários ao mesmo tempo em que há redução de desperdício. Por tabela, otimizamos, também, os resultados das operadoras.

A análise dos dados está em nossas mãos e permite combater ineficiências históricas do setor. Essa inteligência nos permite desenvolver estratégias de cuidado mais integradas e assertivas, e aumentar a eficiência operacional de toda a cadeia, reduzindo custos, o que não é pouca coisa, mas também promovendo saúde, e não só tratando doenças. Manter as pessoas saudáveis é o que vai, de fato, permitir que as operadoras cumpram seu papel no pós-pandemia.

*Rodrigo Guerra é especialista em finanças e inovação em Saúde. Atua como superintendente executivo da Central Nacional Unimed, organização responsável por administrar todos os contratos de abrangência nacional do Sistema Unimed.

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