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Regular ou não regular as mídias sociais, eis a questão

Publicado em: 21/10/2021

Regular ou não regular as mídias sociais, eis a questão

Entre o modelo ocidental, com sua multiplicidade de apps disponíveis e controlados por empresas, e o WeChat chinês, monitorado pelo governo, qual você acha mais apropriado?

Por Rodrigo Guerra*

O Estado deve ou não deve regular as mídias sociais? Esta é a grande pergunta dos dias de hoje. 

Será que cabe ao governo de um país analisar – e autorizar – o conteúdo que está sendo postado? Ou são as empresas, as chamadas pessoas jurídicas, que devem ficar de olho e controlar aquilo que vai para um canal de Youtube, por exemplo? 

Eu ainda não tenho essas respostas. Mesmo assim, consigo enxergar claramente o conflito entre a liberdade de expressão que as mídias sociais trouxeram, dificultando que grandes conglomerados continuassem a dominar e pautar o conteúdo publicado, e o perigo nítido da crescente disseminação de fake news e dos abusos que trazem danos reais à vida das pessoas e à democracia.

Talvez o exemplo mais emblemático dos últimos tempos seja a defesa do chamado “kit Covid” pelo uso da cloroquina e de outros medicamentos sem comprovação científica de eficácia, mas que foram espalhados por grupos de mensagens como uma solução factível para “curar” a infecção pelo SARS-CoV-2. Que fique claro para quem me lê aqui que isso é #fakenews.

Hoje convido você a refletir comigo sobre o aspecto econômico desse tema. Enquanto discutimos o uso legal das mídias sociais, as ações da Facebook Inc. (empresa que reúne o próprio Facebook e também o WhatsApp e o Instagram) continuaram rendendo bons dividendos a quem aplicou nessa ideia. Exceto, claro, no último dia 4 de outubro, quando a instabilidade da rede deixou os usuários por mais de sete horas sem acesso aos conteúdos – e derrubou as ações em 5% em menos de 24 horas. Essa forte perda financeira foi agravada, também, pelas denúncias de uma ex-funcionária que confirmou o conhecimento da empresa na disseminação do ódio e no prejuízo à saúde mental entre seus usuários. Prometo que volto nesse assunto em outro artigo, mas agora o que que proponho discutir e comparar é esse nosso modelo, que vou chamar de ocidental, com multiplicidade de aplicativos à escolha, e o modelo chinês, no qual tudo acontece em apenas um lugar: o WeChat. 

Qual desses dois modelos você considera mais apropriado para uma mídia social? Ou você não acredita em nenhum deles? 

No caso do Facebook Inc., como os vários memes criados pelos brasileiros mostraram, deixamos nas mãos de uma pessoa física – o Mark Zuckerberg –  o controle do que vai ser impulsionado, do que se pode falar ou do que não se pode comentar. Nem preciso dizer que é responsabilidade (ou poder?) demais para uma pessoa ou empresa só. Já no WeChat, o Grande App chinês no qual é possível fazer de tudo – pagar contas, consultar um médico, procurar um emprego e até se conectar com amigos – é o Estado quem dita as regras, ainda que o app seja parte da gigante de tecnologia chinesa, a Tencent Holding. E olha que ele reúne mais usuários que o Facebook – fui pesquisar e descobri que são mais de 1 bilhão de usuários ativos!

Enquanto essa discussão avança no mundo digital, o empreendedor que usa as mídias sociais como ferramenta de trabalho precisa estar atento ao tema da regulamentação e ser ativo nas discussões. Afinal, o controle do conteúdo postado pode impactar diretamente seu modelo de negócio. Especialmente nesse momento em que os apps estão se estendendo em usabilidade e incluindo meios de pagamentos digitais – como o WeChat já faz há um bom tempo.

Será que existe uma terceira via a se buscar para uma regulação mais eficaz das mídias sociais? Entre ter a vida pautada por uma pessoa física ou pelo Estado, o que você considera menos problemático para a sua vida e o seu negócio? 

*Rodrigo Guerra é especialista em finanças e inovação. *Essas duas áreas não costumam ser associadas, mas quando estão lado a lado, elas conseguem transformar projetos inovadores em prática diária nas empresas. No Unbox, do qual é sponsor, realiza uma curadoria de conteúdos fundamentais para impulsionar as mudanças urgentes e necessárias de pessoas, negócios e da sociedade.

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