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Matrix e os perigos da inovação sem responsabilidade

Publicado em: 16/12/2021

Matrix e os perigos da inovação sem responsabilidade

Eu não tenho ideia de como será o quarto longa da franquia, mas aposto que, assim como os filmes anteriores, vamos refletir mais sobre a nossa própria relação com a vida digital. E isso é urgente!

Por Rodrigo Guerra*

Quem aí está contando os dias para o lançamento de Matrix Resurrections na próxima quarta (22/12)? Bem, eu não vejo a hora, já que sou muito fã da franquia.

Assista ao último trailer liberado aqui. 

Aliás, eu sou muito fã de ficção científica em geral, porque entendo que ela não mostra apenas uma visão de futuro, mas, sim, os anseios que uma geração vive e pretende naquele determinado momento.  É por isso que obras como Matrix nos ajudam a entender melhor o que as pessoas ambicionavam nos anos 2000 e outros  clássicos, como 2001: Odisseia no Espaço, Guerra nas Estrelas e Blade Runner, são um retrato possível de décadas passadas.

 

“A minha geração foi marcada por Matrix, pois o filme mostrava uma realidade muito impactante em uma época onde ainda dávamos os primeiros passos com o computador”

 

Quando o primeiro Matrix foi lançado, em 1999, o PC ainda estava chegando aos lares brasileiros e os computadores não estavam nem perto de se tornarem indispensáveis como hoje. Só para fazer uma breve linha do tempo, lembro que as primeiras máquinas chegaram por aqui no começo da década de 1990 e a internet mesmo só se popularizou depois de 1996, em uma época em que os grandes portais e provedores de conexão dominavam o mercado. 

Agora, tente imaginar por um instante como foi o lançamento de um filme que trazia conceitos de realidade virtual para esse mundo pré-internet. Em um paralelo atual, é quase a mesma loucura que estamos vivendo hoje com a chegada das primeiras notícias sobre o metaverso, enquanto já há gente criando os próprios avatares e até mesmo vendendo e comprando terrenos nesse novo universo virtual.

E é aí que está a importância de diferentes gerações sempre projetarem futuros, porque essas realidades projetadas podem, de fato, se concretizar em alguns anos (ou meses?).

Meu convite a você agora é refletir sobre os dois lados possíveis dessa tendência: será que é muito bom ou muito ruim criar obras disruptivas como Matrix, quando a população claramente ainda não está preparada para compreendê-la? No caso da trilogia, não dá para esquecer que as pessoas fugiram das salas de cinema por não entenderem bem o que era mostrado ali. 

E agora, será que isso será diferente com o metaverso? Tenho minhas dúvidas. Porque por mais que o mundo digital nos seja familiar, continuamos fugindo – agora para dentro dele – para escapar das angústias da realidade. Só que sabe o que acontece? Todos nós de alguma forma acabamos levando nossas próprias angústias para dentro do digital, sendo os conflitos e brigas constantes em redes sociais um bom exemplo disso, e que estão produzindo consequências bem reais com ascensão de políticas autoritárias, por exemplo.

Com o metaverso, precisamos ter muito cuidado sobre essa nossa vulnerabilidade. E Matrix pode ser um alerta importante para que isso não aconteça.

Então, aproveita que ainda faltam alguns dias para a estreia e volte a assistir (ou assista pela primeira vez) os três primeiros filmes da franquia. Mas, dessa vez, adote um olhar crítico sobre a importância de se refletir mais e melhor sobre a vida digital que todos adotamos.

E lá vai um spoiler que posso dar mesmo sem assistir ao quarto longa da franquia: alguns dos riscos apresentados ali vão ser bem reais para os dias de hoje.

*Rodrigo Guerra é especialista em finanças e inovação. *Essas duas áreas não costumam ser associadas, mas quando estão lado a lado, elas conseguem transformar projetos inovadores em prática diária nas empresas. No Unbox, do qual é fundador, realiza uma curadoria de conteúdos fundamentais para impulsionar as mudanças urgentes e necessárias de pessoas, negócios e da sociedade.

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