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Agricultura urbana também é sinônimo de autocuidado

Publicado em: 31/05/2022

Agricultura urbana também é sinônimo de autocuidado

A iniciativa cresce em todas as cidades brasileiras e, com ajuda da tecnologia, amplia a variedade e a qualidade dos alimentos que consumimos. Mas é fundamental que esse autocuidado seja acessível

Por Rodrigo Guerra*

O direito à alimentação de qualidade, vendida a preço justo, faz da agricultura urbana um setor econômico a ser estimulado.

Mas, apesar de colecionar vantagens que vão do meio ambiente à saúde básica de toda uma população, o modelo de negócio frequentemente adotado, bastante ligado ao senso de comunidade, pode acabar sendo cooptado pelo mercado e virar mais um artigo de luxo, como os alimentos orgânicos são percebidos por quem só frequenta grandes redes de supermercado – e paga um alto preço para consumi-los.

Evitar esse cenário requer o resgate justamente do senso coletivo no qual a agricultura urbana tanto se baseia, justamente por tirar a dependência da população das redes de abastecimento de alimentos. E um caminho para isso pode ser o de se espelhar mais na agricultura familiar e do pequeno produtor rural.

77% dos centros agrícolas brasileiros são formados por iniciativas familiares e pequenos produtores. Mas, juntos, eles produzem “apenas” 23% daquilo que comemos. Talvez a agricultura urbana possa complementar essa iniciativa

Antes, acho que vale a pena ressaltar como essa atividade se constitui no Brasil. Por aqui, um percentual altíssimo de pessoas estão envolvidas nesse tipo de produção familiar: 77% dos centros agrícolas nacionais são classificados como tal, empregando 67% da mão de obra do campo – peguei esses dados do governo federal. Mas sabe quanto dessa produção chega até o consumidor? Apenas 23% do valor total da produção agropecuária nacional.

É verdade que, com o avanço da reforma agrária, pequenos agricultores puderam se destacar em determinadas áreas-chave, como as chamadas culturas permanentes. Isso significa que quando o assunto é produzir café e banana, esse percentual de mercado sobe para 48%. Já em alimentos temporários e bastante presentes na dieta brasileira – como a mandioca / macaxeira / aipim –, o número chega a 80%.

Visitando esses números, penso que a agricultura urbana pode ser um excelente complemento a essa iniciativa.

Assim, tal qual na área da saúde a ideia do autocuidado é cada vez mais forte, com as pessoas se valendo de gadgets e aplicativos para tomarem conta de si, me parece natural que a busca por hábitos mais saudáveis de vida chegue também à mesa e àquilo que nos servimos diariamente.

Ter uma oferta de produtos naturais e mais saudáveis perto de casa, ali na horta comunitária do bairro ou disponível no hortifruti a preço acessível, é uma ideia que tem tudo para vingar. Comer uma fruta ou um legume cultivados por um pequeno produtor dentro da cidade pode ser a garantia de estar consumindo um alimento com mais nutrientes e sem agrotóxico, como preza a agricultura orgânica.

Assim como a tecnologia favoreceu o autocuidado na saúde, tem tudo para ser a ferramenta ideal para ampliar esse propósito também na alimentação, fomentando os pequenos cultivos típicos da agricultura urbana

Se o autocuidado é bom para a saúde, o autogerenciamento do negócio que a agricultura urbana proporciona é excelente também para quem vive dela. No agronegócio, muitas vezes, a figura do intermediário é quem mais lucra com a transação. Muito mais do que quem produz o alimento.

Então, também com o artefato da tecnologia, é possível que os produtores se conectem diretamente com seu público consumidor – muitas vezes isso acontece por uma simples troca de mensagens no WhatsApp –, permitindo que façam um autogerenciamento do negócio.

A busca por sustentabilidade, como já disse antes e repito agora, precisa se cercar de um tripé importante: econômico, social e ecológico. Só vai ser bom se for bom para todo mundo.

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